A vida, o ego e outras cositas

Outro dia me deparei com esse vídeo no Face, um astrólogo compartilhou como exemplo de energia ‘aquariana’. Um ponto de vista sobre a vida à la ‘On the road’:

Depois vim parar nos vídeos de Eckhart Tolle. Pra quem busca transformação através do autoconhecimento:

Bom despertar.

Tangerina e outras drogas

Pra mim, Carnaval é tempo de curtir uns bloquinhos e também colocar alguns filmes em dia. Por isso aproveitei a vibe de descanso pra assistir ao documentário sobre a Amy Winehouse (já está no Netflix) e ir ao cinema ver Tangerina, longa gravado em iPhone.

Hoje em dia já não escuto mais tanto, mas ainda me considero fã da Amy. Teve uma época em que ouvia seu CD Back to black inúmeras vezes e fui no seu show aqui no Rio (quem lembra?). Sua voz toca fundo lá na alma e suas letras mostram que é ok sofrer por amor, se sentir uma louca, mas que também é possível dar a volta por cima. Por isso, não faltam motivos pra gente saber mais sobre a vida pessoal dela, tentando ir além das notícias terríveis que circulavam pela internet falando que ela fugiu do rehab, ou arrumou confusão com paparazzis, etc.

Por que será que uma das mulheres mais talentosas da música nos últimos anos entregou a carreira e a vida de mãos beijadas para as drogas? O doc tenta desvendar isso mostrando depoimentos de amigos e empresários, além de filmagens pessoais da cantora em sua intimidade. Dá pra sentir que, apesar da voz forte, Amy era bem frágil e não se encaixava no mundo do showbizz, tendo uma certa aversão à fama. Difícil de lidar, com certeza. Mas mesmo depois das duas horas de filme eu segui sem entender como tanto talento podia ir por água abaixo assim.

Despretensioso, engraçado, emocionante, triste, enfim… foda. Esses são alguns termos que vêm em mente quando lembro de Tangerina. Filmado em iPhone, o longa mostra um pouco da realidade de duas travestis em Los Angeles dispostas a fazer de tudo pra atingir seus objetivos – sejam eles cantar num bar ou descobrir quem é a amante do namorado.

A gente vai seguindo as duas por um dia em L.A e fica mais por dentro dessa realidade tão dura – ser profissional num ramo ilegal, lidar com todo tipo de gente, desejo, tabu e droga. Tudo isso apimentado com bom humor e ironia típicos de quem se reinventa e luta por seu lugar ao sol no outro lado de Holywood. Torço pra que o filme levante a bandeira e a gente veja cada vez mais atores e personagens trans nas telonas. Ah, vale ler essa matéria pra saber mais sobre o processo de filmagem em iPhone 5s.

Da filinha do Oscar ainda quero ver O menino e o mundo, Joy, A grande aposta e A garota Dinamarquesa.

Eu sou Ingrid Bergman

Dica de filme: o documentário sobre a atriz sueca Ingrid Bergman. Ainda está em cartaz no Rio e é uma boa opção pra fugir do calor que voltou a reinar por aqui.

Nele vemos como Ingrid, além de amar a profissão de atriz, adorava também fazer vídeos da sua vida pessoal. Muitas das cenas do doc são com filmagens originais dela. As infos reunidas também vêm dos diários que mantinha e das cartas que ela trocava com amigos. E os filhos dão depoimentos emocionantes sobre a mãe.

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Tudo isso faz a gente se sentir bem próximo da personalidade e das vivências da atriz. Confesso que sabia bem pouco sobre ela, mas adoro documentários sobre pessoas. Saí de lá me sentindo um pouco íntima, e muito inspirada. Ingrid sabia que queria ser atriz desde novinha, se destacou na cena da Suécia e logo pegou um navio em direção a Holywood. Lá seu jeito determinado foi lhe rendendo participações em filmes, até virar a estrela principal de produções junto com galãs americanos. Em um dos diários, ela contou que assim que chegou em L. A, estava em uma festa e um dos produtores disse que ela nunca seria uma atriz de sucesso pois era muito alta. Em vez de acreditar nele e se sentir mal, ela escreveu “ele não me conhece”. Puro poder! :P

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E foi assim, com muita determinação e cuidado na hora de aceitar os papéis que Ingrid trabalhou com os melhores diretores da época, como Hitchcock, de quem ficou bem próxima. A vontade de mudar um pouco o estilo dos filmes que fazia a levou pra Europa, onde já estava apaixonada pelo estilo de Roberto Rosselini. A admiração fez com que ela escrevesse uma carta pro diretor, se apresentando e falando da vontade de trabalhar junto. Isso rendeu um trabalho, um segundo casamento, mais três filhos e, claro, um escândalo pra família tradicional que mal aceitava o divórcio. Nada abalou Ingrid que seguiu tocando a vida e trabalhando com quem mais admirava.

O trailer dá uma ideia do que te espera:

<3

As fotos de Viviane Sassen

É muito bom quando você se apaixona pelo trabalho de um fotógrafo. Mesmo que só virtualmente. Foi assim hoje… descobri as fotos da Viviane Sassen por uma divulgação da página do site Nowness e pirei.

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A matéria, na real, é de 6 anos atrás, mas as fotos poderiam ter sido feitas ontem. O Nowness reuniu imagens que Viviane clicou na Tanzânia, com efeitos de light painting formados pela longa exposição. A escolha do contraste entre os corpos, a luz, o cenário, deu um tom misterioso e ao mesmo tempo muito cool.

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Na entrevista, a artista conta que era estudante de moda, quando participou de um desfile pra ajudar os amigos Viktor & Rolf, mas nos bastidores se apaixonou mesmo foi pelo trabalho dos fotógrafos que registravam cores, ângulos, texturas e corpos com suas lentes.

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Viviane usa a sombra e a luz como elementos gráficos, e gosta de trabalhar num tom ‘acima’ ou ‘abaixo’, com fotos que não se revelam imediatamente ao olhar, ficam por ali, nas entrelinhas.

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A fotógrafa tem uma relação próxima com alguns países da África pois já morou no Quênia dos 2 aos 6 anos. Agora vive e trabalha em Amsterdam. No site dela dá pra ver os livros já publicados, tudo com um cuidado estético e um olhar muito interessante.

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Pra viajar… e inspirar, mesmo sem sair de casa.

 

 

Dos cafés com Patti

Ano passado em um domingo em NY, saí pra tomar um café, tentar comprar um par de tênis… voltei pra casa com duas novas aquisições. Novinhos em folha, prontos pra me acompanharem nas viagens de metrô e nas tardes aquecidas:

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Sim, o sapato podia ficar pra depois, era hora de arrumar um bom livro pra ler e nada melhor do que conhecer Patti Smith. Comecei pelo Só Garotos e não deu vontade de terminar de ler… Esse livro é daqueles que fazem a gente se sentir totalmente dentro da história, e essa história é nada mais nada menos que NY na década de 60, explodindo com movimentos artísticos, poesia, fotografia, libertação sexual, drogas, enfim, autêntico #vidaloka. Mas não é um simples retrato histórico da cidade. A gente vive um pouco da infância/juventude de Patti, e muito de sua trajetória com Robert Mapplethorpe. A ligação deles é bonita de se ler, algo diferente do que ‘apenas’ um amor entre namorados…entre eles rolava uma mútua alimentação artística; a conexão ia muito além do eixo homem/mulher.

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“Both of us had given ourselves to others. We vacillated and lost everyone, but we had found one another again. We wanted, it seemed, what we already had, a lover and a friend to create with, side by side. To be loyal, yet be free.”

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Só Garotos é um mergulho na vida de verdadeiros artistas, aqueles que muitas vezes passam aperto financeiro, que não têm rotina ou às vezes trabalham só pra ter um sustento básico e poder comprar material pra criar. Motivações filosóficas e pessoais, a vontade de expressar algo que incomoda e corta lá dentro, a vontade de romper barreiras e transformar comportamentos. Uma arte em um tempo que permitia experimentações, que o prazer era se sentir criando, fazendo, influenciando vidas e personalidades.

É até curioso que em M Train Patti mal fala de Robert. Mas a gente se sente seguindo a vida com ela, depois da perda do melhor amigo, do marido e do irmão. Nessa leitura me senti como se tivesse conhecido Patti como uma senhora meio mal encarada num café, contando histórias pra quem lhe parecesse interessado em ouvi-la ruminando sobre a vida. São lembranças tocantes e excêntricas, sobre a viagem à Guiana Francesa, alguns passeios por cemitérios, e quase perder uma casa em um furacão… Confesso que preferi o entusiasmo de Só Garotos. Mas a escrita de Patti é tão bonita, pessoal e sensível, que cada página de M Train continua sendo um prazer.

“How did we get so damn old? I say to my joins, my iron-colored hair. Now I am older than my love, my departed friends. Perhaps I will live so long that the NY Public Library will be obliged to hand over the walking stick of Virgnia Woolf. I would cherish it for her, and the stones in her pocket. But I would also keep on living, refusing to surrender my pen.”

Respiro da semana

De volta com a programação, divido por aqui alguns links que podem ajudar a deixar seu dia a dia mais criativo, trazer uma informação nova, enfim, inspirar.

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      • Pra comemorar o aniversário de SP, que completa 462 anos na próxima segunda-feira (25/1), a Red Bull fez um vídeo mostrando o Centro da cidade como um local que vem sendo retomado e hoje está cheio de referências culturais e novos espaços de arte.
      • palestra da Tina Roth Eisenberg (a.k.a @swissmiss e criadora do Creative Mornings) é daquelas que fazem a gente querer tocar aquele projeto pessoal logo, e de quebra, ainda fala sobre como ser mãe e ser chefe tem mais pontos em comum do que podemos imaginar.
      • Esse sábado rola lua cheia em leão. Quer saber um pouco do que a astrologia diz disso? Clica aqui, aqui, aqui e aqui, pode te ajudar a entrar em sintonia com essa energia.

 

Stella, a metamorfose ambulante

(Vou ser sincera, era pra eu ter escrito este post há dois meses. Só que por vários motivos ~errados~ eu fui deixando na gaveta. Agora a exposição acaba em duas semanas. Mas antes tarde do que mais tarde!)

Frank Stella sempre foi, pra mim, o cara que ~brincou~ com a pintura de uma maneira bem inteligente e ousada. Pra quem não sabe, ele ganhou destaque na virada da década de 50 pra 60 com suas Black Paintings, transformando o universo do expressionismo abstrato e se tornando um dos marcos inaugurais do minimalismo.

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A retrospectiva no novo Whitney nos permite ver os trabalhos desde essa época, e como Frank, esperto que só, foi se reinventando a cada série, muitas vezes desdizendo aquilo que já tinha sido sua teoria. Sim, porque depois de fazer algumas obras-primas do minimalismo, Stella surpreendeu com o uso de inúmeras cores, trabalhos em escalas monumentais, pinturas feitas em superfícies de alumínio (essa abaixo me lembrou muito a estética do graffiti). Ele se recusa a seguir uma linha específica, desafiando o mercado e os críticos.

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Vá com tempo e aprecie a exposição todinha, porque é a chance ficar cara a cara com um pedaço muito estimulante da história da arte. Os andares do museu estão recheados com pinturas, esculturas (aliás, a pergunta ‘isso é uma pintura ou uma escultura?’ muitas vezes vem à tona), gravuras, trabalhos em relevo, além de estudos em desenho. O passeio por lá é uma delícia, algumas das galerias têm janelas que dão pro Rio Hudson, enchendo de luz natural o Museu.

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É arte ‘fria’, é arte ‘quente’, é minimalista, é Carnaval. Tem-se um pouco de tudo na trajetória de um dos artistas plásticos mais importantes (e vivos) dos EUA. É bom pra treinar o olhar, ler e ouvir o que o artista tem a dizer e, claro… abrir a cabeça.

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Por isso, se estiver em NY até 7 de fevereiro, simplesmente vá!

Victoria

Quem não tá viajando pode aproveitar o recesso ou a vibe mais light do fim de ano pra colocar filmes e livros em dia. Minha dica é correr pro cinema e assistir à Victoria, longa metragem alemão filmado em um único plano sequência. Ou seja, a câmera foi ligada na primeira cena e só desligada no final. Intenso!

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A obra é do diretor Sebastian Schipper, que tem no currículo filmes aclamados pela crítica como Corra, Lola, Corra e O Paciente Inglês. Filmar em plano sequência de verdade é uma tarefa exaustiva, que precisou de 12 ensaios pra dar certo. E deu! A ‘correria’ da técnica combina bem com o enredo…

Victoria é uma espanhola que vai morar em Berlim e acaba trabalhando num café, já que se desiludiu com a carreira de pianista. Dá pra ver que ela se sente sozinha na cidade, e por isso mesmo, aberta e vulnerável a fazer novos amigos. E é assim que ela se aproxima de quatro jovens alemão e tem a noite e o dia mais agitados da vida!

Não posso contar muito pra não estragar a surpresa, mas fica o recado: o que se pode ganhar ou perder se entregando e indo além? Só vivendo pra ver! Se a história te envolveu, dá play no trailer aí em cima e corre pra sessão mais próxima.